quinta-feira, dezembro 04, 2014

Fotografia de uma Solidão


Suas imagens estavam guardadas até você reaparecer mudando tudo.
Arrancou o escudo do meu coração e me tirou do repouso.
Deixando entrar sem medo a vida, aquilo que me trazia alegria e dor.

Só agora eu reparei que não via mais seu rosto.
Deixou para traz um espelho vazio.
Partiu sem ouvir algumas palavras que tampouco ecoaram no silêncio.

Só me resta seguir rumo ao futuro, certo do meu coração mais puro.
Quem quiser que pense um pouco, eu já não consigo esclarecer o que não se vê.
Talvez ninguém possa explicar a vida e o amor em uma fotografia de uma solidão.

sexta-feira, novembro 28, 2014

Ilusão democrática e objetivas incertezas



“Ser fotógrafo é um pouco como ingressar num clube privado onde só alguns eleitos são admitidos”.

"Ernst Haas diz que a fotografia é 'a manifestação democrática de uma arte aristocrática'”

“A fotografia trazia em si vários aspectos democratizantes. Primeiro, um número muito maior de pessoas podia empreender uma aventura, antes restrita a uma elite: a transformação de suas emoções, seus pensamentos, seu modo de ver numa imagem passível de ser difundida, analisada e criticada.”

“A fotografia é consequência inevitável do deslumbramento do homem diante das imagens da câmara escura. É o vestígio deixado no filme pela imagem que tanto fascinou. Fascínio diante de uma perfeição que jamais vira numa imagem plana. Ainda hoje, o que torna a fotografia desconcertante é essa identidade de aparência com a realidade, sua capacidade de reproduzir a verdade visual (e apenas esta) com tamanha perfeição, numa imagem que se oferece desinibida à nossa volúpia visual, mas onde, também, o próximo instante jamais acontece.”

“A incerteza quanto à natureza íntima da fotografia, quanto a seu lugar na comunidade das imagens, parece resultar da expectativa, criada por uma imagem tão verossímil, de que ela não seja apenas uma imagem. Experimentamos uma espécie de frustação diante de uma fotografia, ela provoca, quase sempre, o desejo de mais informação. Queremos saber sobre antes e depois, perguntamos sobre as pessoas, o lugar, o evento, a época. Buscamos a historinha que a imagem insinua e oculta, o texto que fala, falado ou escrito.”

“O simples fato de olharmos a realidade objetiva já a transforma. Os olhos, óbvios e transparentes nos caminhos físicos da luz, tornam-se turvos, misteriosos e escuros nos intrincados meandros cerebrais que processam a informação visual. Ali se misturam realidades que condicionam, sublimam e transformam a realidade clara e escura da luz. Vemos com mais nitidez o que queremos ver; podemos ver, até, apenas o que queremos ver.”


O que é fotografia, (Cláudio Araújo Kubrusly, 1986)

quarta-feira, novembro 19, 2014

Série Close


Série Close


Comportado sob um olhar materno

quarta-feira, novembro 12, 2014

Série Close



Sapecagens de Domingo

quinta-feira, outubro 16, 2014


quarta-feira, setembro 24, 2014

Série Close


Benjamin

Revelações de Sebastião Salgado



“Quando desembarcava pela primeira vez em um país, compreendia sua situação e sabia situar minha fotografia naquele contexto. Sempre fui capaz de colocar minhas imagens dentro de uma visão histórica e sociológica. O que os escritores relatam com as suas penas, eu relatava com a minha câmara. A fotografia é para mim uma escrita. É uma paixão, pois amo a luz, mas também é uma linguagem. Poderosíssima. Quando comecei, não tinha limites. Queria andar por todos os lugares onde minha curiosidade me levasse, onde a beleza me comovesse. Mas também por todos os lugares onde houvesse injustiça social, para melhore descrevê-la.”

“Cada uma das minhas fotos é uma escolha. Mesmo nas situações difíceis preciso querer estar presente e assumir essa presença. Aderindo ou não o que está acontecendo, mas sempre sabendo por que estou ali. Segui os sem-terra foi minha maneira de participar de seu movimento. Mostrar as imagens da fome na África, uma maneira de denunciá-las. Em toda parte, essas imagens suscitaram reações. A fotografia é uma escrita tão forte porque pode ser lida em todo o mundo sem tradução.”


“Como já relatei, vi tanto sofrimento, ódio e violência ao longo das reportagens para Êxodos que saí muito abalado. Mas não me arrependo de tê-las feito. ‘Diante de uma atrocidade, o que constitui uma boa foto?’, às vezes me perguntam. Minha resposta cabe em poucas palavras: a fotografia é a minha linguagem. O fotógrafo está ali para ficar quieto, quaisquer que sejam as situações, ele está ali para ver e fotografar. É através da fotografia que trabalho, que me expresso. É através dela que vivo.”

Da minha terra à terra, 2014. (Isabelle Francq, Sebastião Salgado)

quinta-feira, setembro 11, 2014

cigarros